<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877</id><updated>2011-06-08T03:23:37.592-03:00</updated><title type='text'>BALADA DO LOUCO</title><subtitle type='html'>This is the strangest life I have ever known.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rafael Galvão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826255050228048</id><published>2005-06-15T17:28:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:29:10.506-03:00</updated><title type='text'>Nicolau</title><content type='html'>Era um embaixador das antigas. Muitos o chamavam Comendador. Usava ternos impecáveis, gravatas extremamente sóbrias, sapatos italianos feitos à mão sempre lustrados. Abotoaduras. O eterno sorriso mostrava todos os dentes perfeitos. Sempre. Nas mãos, além da aliança e de um relógio clássico, o inseparável charuto. A sua simpatia permitia-lhe brincar com quem quer que fosse sem tornar-se inconveniente. Era especialista em brincar com moças desconhecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicolau não era louco. Não era nem mesmo um embaixador, nem sei se era realmente comendador ou que comenda teria recebido. Era um amigo de família. Tinha um escritório na Rua da Consolação, no centro de São Paulo. No mesmo primeiro andar, na porta ao lado da sua, alugou-nos as salas onde funcionava o escritório da empresa de reformas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve época em que era conhecido como "O Paxá dos Cadillacs". Cada vez que ia aos Estados Unidos comprar um lote dos carrões, escolhia os melhores hotéis e costumava presentear as telefonistas onde se hospedava com anéis de brilhantes. Numa das viagens chegou a distribuir vinte anéis. No último dia antes de entrar em vigor uma lei que proibia a importação dos seus carrões, o funcionário da alfândega o chamara, pela manhã, para informar-lhe que deveria ir retirar o último lote antes da meia-noite, ou o governo os confiscaria. Bastava assinar a papelada, retirar os carros do depósito e estacioná-los do lado de fora. Coisa de uma hora. Nicolau foi a uma festa, a um espetáculo teatral, a um jantar e esticou a noite em algum lugar. No dia seguinte, acordou tarde, tomou café e permitiu que a imprensa o fotografasse na banheira, com o imperturbável sorriso e o inseparável charuto. Havia perdido uma fortuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das muitas vezes que foi a nossa casa, um apartamento num vigésimo quarto andar da Avenida Paulista, Nicolau encantou-se com um quadro que meu pai acabara de pintar. "Dorival, me vende esse quadro". Meu pai se recusou: "Esse quadro não está à venda." Escolha outro. Nicolau não queria outro, queria aquele. Nas semanas seguintes ele tentava uma investida, levava-nos os deliciosos kibes e esfihasque sua mulher fazia, escolhia uma garrafa de whiskie especial, oferecia almoços, mas meu pai não cedia. Numa noite, numa das insistentes visitas, Nicolau perdeu um pouco da amabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Dorival, somos amigos há muito tempo. Você vende todos os quadros que pinta. Por que não quer vender esse? Vende pra mim, que sou seu amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meu pai permanecia irredutível:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Esse quadro não está à venda!, sentenciou rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Eu já tentei de tudo e você não me vende. Acho que você está querendo testar a nossa amizade e isso não me agrada. Ou você me dá uma boa razão para não me vender esse quadro, ou eu não divido mais o elevador com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Nicolau -- respondeu meu pai -- não posso vender esse quadro porque eu o pintei para dá-lo de presente a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gargalhada encheu a enorme sala. Nicolau começou a falar coisas incompreensíveis em árabe. Pulava e gritava como um menino, beijava meu pai e a todos na sala. Abraçou o quadro e continuava a falar em árabe. Queria festejar, correr, chutar. Tirou um sapato, mordeu-o e jogou-o pela enorme janela de vidro fechada, espalhando cacos no jardim, vinte e quatro andares abaixo. Meu pai, que quase chorava de tanto rir, disse-lhe, ainda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- E mais: dou também aquele outro pra você levar de presente pra sua filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicolau gritou o que me pareceu um palavrão em árabe, tirou o outro sapato e arremessou-o pela outra vidraça. O par de sapatos italianos sumira na escuridão do jardim, de frente para a Avenida Paulista. Foi embora com o único sapato que lhe coubera: os sapatos sujos de cimento e tinta que um operário havia deixado após a reforma da cozinha. Debaixo do braço, os dois quadros. Acendeu um charuto dentro do elevador e, antes que a porta se fechasse, ofereceu-nos o mais belo sorriso do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826255050228048?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826255050228048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826255050228048' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826255050228048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826255050228048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/06/nicolau.html' title='Nicolau'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826300583441406</id><published>2005-06-10T17:36:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:36:45.840-03:00</updated><title type='text'>Aerolinhas Tabajara</title><content type='html'>A &lt;b&gt;Aerolinhas Tabajara&lt;/b&gt; era, como se pode adivinhar pelo nome, uma empresa de aviação. Restrita ao &lt;b&gt;Aeroporto da Pampulha&lt;/b&gt;, tinha apenas um funcionário, um certo comandante cujo nome não consegui identificar pelo crachá. Não possuía aviões. Nem mesmo uniforme seu funcionário usava. Como não havia vôos, o piloto da empresa – que passo a chamar de &lt;i&gt;Comandante Tabajara&lt;/i&gt; - gastava as tardes sentado numa das poltronas do saguão do “Pampulha”. Quieto, calado, o olhar meio vago, um jeito desamparado. O ar de sossego triste que vem de uma espera longa e indefinida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que o vi pela primeira vez – foi num ônibus -, não sabia que se tratava de um piloto de aviões.  Imagina-se que esses sujeitos não precisem usar o transporte coletivo, mas até então eu nem suspeitava que havia exceções como aquela. O único funcionário de uma empresa aérea sem aviões jamais teria dinheiro para usar um meio de transporte mais confortável. Eis a figura: estatura baixa e o cabelo paradoxal, parecendo peruca, parecendo verdadeiro. Roupa com estampa militar ou uma camisa jeans sem mangas. Tatuagem no braço, uns 55, 60 anos. Bonezinho sobre o misterioso penteado e aquele ar de desamparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meu percurso para o trabalho, eu o via algumas vezes. Ele sempre tomava a condução na região da Lagoinha, já na avenida Antônio Carlos, principal ligação do centro da cidade à Pampulha. Como eu descia antes do aeroporto, não sabia para onde aquele ser humano curioso se dirigia. Acabei deixando o emprego – redigi minha própria carta de alforria - e nunca mais vi Tabajara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns talvez três anos mais tarde, fui morar na região da Pampulha, bem perto do aeroporto. E eis que, num sábado de setembro de 2003, eis que o comandante entra no ônibus. Naquele dia descobri que ele ia ao encontro dos “bichões” de asas, mas ainda não sabia que estava diante de um peculiar piloto de aviões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta se deu dias depois, quando o encontrei no saguão do aeroporto. A camisa &lt;i&gt;jeans&lt;/i&gt; sem mangas, a tatuagem já desbotada no braço esquerdo, o crachá impresso de forma tosca, pregado sobre o coração: &lt;b&gt;Aerolinhas Tabajara / Comandante (?)&lt;/b&gt;. Não querendo ser indiscreta, tratei de examiná-lo com velocidade supersônica, fato que me impediu a identificação de seu nome. Ele sentado, esperando como os passageiros. A diferença é que a chamada para seu vôo nunca vinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu o vi mais umas quatro vezes naquela condição de quem só espera, e espera só. Sempre à tarde. Trabalhava no turno vespertino, pelo visto. O tempo foi passando; eu passando pelo aeroporto e notando sua ausência. Desapareceu, simplesmente. Acho que a &lt;b&gt;Aerolinhas Tabajara&lt;/b&gt; acabou falindo por falta de aeronaves, de funcionários, de uniformes, de lanche para os passageiros, de passageiros. Ou talvez ele, cansado de esperar, tenha pedido demissão, o que fundo é a mesma coisa: &lt;b&gt;Tabajara&lt;/b&gt; era a empresa e era ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que ignoro a verdade, prefiro pensar que o vôo imaginário que ele tanto aguardou tenha, enfim, chegado. De uma coisa tenho quase certeza: aquele é um piloto que nunca pôs os pés em um avião de verdade. E, se eu estiver certa, é uma pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826300583441406?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826300583441406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826300583441406' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826300583441406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826300583441406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/06/aerolinhas-tabajara.html' title='Aerolinhas Tabajara'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826278031344072</id><published>2005-06-10T17:32:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:33:00.316-03:00</updated><title type='text'>A louca e o poeta</title><content type='html'>A Praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador tem um centro divido em duas partes: a Cidade Alta e a Cidade Baixa. O trânsito é caótico, como em qualquer centro de cidade. As pessoas sobem e descem através do Elevador Lacerda, do Plano Inclinado (um bondinho) ou das poucas ladeiras. A Ladeira da Montanha é desaconselhável para pedestres antes da noite cair. Depois, é aconselhável somente a quem tem vocação para aventuras perigosas a baixo preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Castro Alves não é exatamente uma praça. Não tem bancos, jardim ou árvores. E é inclinada. No meio da praça, a estátua do poeta com o braço levantado, declamando uma eterna poesia à cidade. Em frente à estátua, do outro lado da rua, o Cine Glauber Rocha. Como em Salvador tudo é permitido, é na Praça Castro Alves que duas ruas paralelas entre si, a Avenida Sete de Setembro e a Rua Carlos Gomes, se encontram. Na esquina desse encontro, o Edifício Sulacap. Na parte térrea do edifício há (ou havia) uma lanchonete. Era ali que comprava as cervejas em lata para ir apreciar a baía do alto, sentado no muro atrás do Poeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num daqueles ensolarados dias de Salvador, decidi bisbilhotar um dos muitos sebos da região, aguardando um cliente com quem almoçaria. Essa foi a primeira vez que a vi. Uma mulher negra completamente nua, com as roupas cuidadosamente dobradas que ela mantinha contra o peito. Talvez numa lembrança do carinho que deveria haver com os cadernos e livros no tempo de escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre por volta do meio-dia, ela atravessava a praça, vindo da direção da Montanha e descendo as escadas atrás do Cine Glauber Rocha, em direção à Baixa dos Sapateiros (uma versão baiana da paulistana 25 de Março), completamente nua. De onde viria e para onde iria? Muita gente sequer ouvira falar dela. Outros, nem acreditavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhava decidida mas tranqüila. Se estivesse vestida seria somente mais uma secretária ou funcionária de banco, que passaria despercebida. Não havia nada que fizesse supor sofrimento ou constrangimento. A Praça era a sua casa e ela acabara de tomar banho, ou estava se preparando para sair. Não via ninguém e ninguém a via.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após conviver tanto tempo usando roupas e aceitando as regras da sociedade sem questioná-las, confesso que realmente me intriga a idéia de alguém nu, no meio da cidade, em plena luz do dia. Mas a Praça Castro Alves realmente é do povo e, considerando o cinema, a estátua, o autor da música a quem pertence a frase lá no alto e freqüentadores daqueles arredores como esse escriba amador, diria que ela freqüentava o lugar certo. E que estava em boa companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826278031344072?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826278031344072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826278031344072' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826278031344072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826278031344072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/06/louca-e-o-poeta.html' title='A louca e o poeta'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826274852042746</id><published>2005-06-08T17:32:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:32:28.520-03:00</updated><title type='text'>Betito e o ganso</title><content type='html'>Louco ímpar. Díspar. USP, 1979, janeiro quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma fila enorme de inscrição para cursos alternativos dentro de Letras. Eu (louca como tantos outros) na fila para tupi-guarani.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma cena bizarra: Betito (ele sempre foi chamado assim, acho que nem tinha mais nome), um garotão de seus 19 anos, jeans largo, camisa branca com botões abertos, alpargata rueda e uma coleira com guia. Na coleira o que??? UM GANSO. Branquinho, aprumado, bem do lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde ia Betito, lá estava o ganso. No banheiro, no refeitório, nos shows do Beto Guedes, na Poli, nas piscinas...sempre os dois, unidos e combinados&lt;br /&gt;como feijão com arroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso faz tempo, mas nenhum de nós perguntou ao Betito "POR QUE ESSE GANSO PRA CIMA E PRA BAIXO?". Interessantissímo ressaltar que o ganso do Betito (ô loko), só parava mesmo pra ouvir o Arnaldo Antunes recitar poesias em cima do banco, com aquela cara de maluco, com suas calças em tecido cru, com bata combinando, sandalhões e olhos atentissimos aos movimentos do... ganso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Lembro com certa importância que nenhum de nós pegou seu diploma: tupi-guarani, sânscrito, hebraico ou latim eram linguas para pessoas normais...rs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soraya&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826274852042746?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826274852042746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826274852042746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826274852042746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826274852042746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/06/betito-e-o-ganso.html' title='Betito e o ganso'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826259782950956</id><published>2005-06-01T17:29:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:31:58.140-03:00</updated><title type='text'>Casal maluco-beleza</title><content type='html'>Na Centraal Station, em Amsterdam, um verdadeiro mundo, que logo eu dominaria. Com aquele maldito peso e a mochila que não caberia num locker, acabei rodando de um lado pro outro pra achar abrigo, já que minha reserva no albergue Vondelpark era só depois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei mesmo que ia conseguir, como minha amiga falara, vaga nos outros albergues; sinistro. Tudo cheio. O maldito barco hostel que eu tinha cismado era uma fortuna e eu ainda não conhecia ninguém para dividir o tal quarto... Definitivamente eu não iria pagar 200 euros no meu primeiro dia na Europa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorte que a noite só caía pra lá de oito e meia. E esta hora, na minha calma providencial dos melhores/piores momentos, eu estava sentada em frente à Central de Turismo, do outro lado da Centraal Station, fumando. Nem o ponto de guia para turistas estava aberto. Foi quando apareceu o maluco. Figuraça; "Benji".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um baixinho de lindos olhos azuis. Malandro que só. Chegou perguntando se eu estava procurando lugar pra passar a noite. E eu fumando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sim, eu quero. Tô sem acomodação. O Vondel não tem vaga agora&lt;/b&gt;. &lt;i&gt;Quer ir lá pra casa? A gente recebe pessoal como você.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrédula, após muita insistência, olhei o álbum que ele tinha com fotos e dedicatórias, inclusive de brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele falava, mas o inglês era sofrível, ele era do Irã originalmente e eu ainda não estava propriamente acostumada a isso (500 mil sotaques diferentes...imagina...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papo vai, papo vem. &lt;b&gt;Não sei se estou entendendo... mas o papo era de que eu tinha olhos especiais, alma não sei o quê!&lt;/b&gt; Quando falei que era escritora então, ferrou...ele era escritor também... Enfim, acabei indo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio do caminho, entendi que se eu não quisesse pagar pelo quarto, eu podia “ficar” com eles (ele e a esposa) num &lt;i&gt;menage à trois&lt;/i&gt;, porque ele tinha gostado muito de mim... &lt;b&gt;O quê?&lt;/b&gt;, pensei eu... &lt;b&gt;Não devo estar entendendo...&lt;/b&gt; Estava sim... Então me esforcei em dizer que eu só queria um lugar pra passar a noite. Desisti já no caminho. De novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda fui procurar um lugar pra ficar. Onde diabos eu ia passar a noite? Já estava praticamente escuro e eu estava cansada. Eu ria que era uma beleza... &lt;b&gt;Convite pra suruba na primeira noite, isso vai ser ótimo !!!! Já tinha esquecido como era bom viajar sozinha...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que encontro o Benji de novo. Agora com a esposa, que ele tinha chamado; "Lia". Uma morena, alta, da Armênia, Argélia, sei lá, nessa altura já não sei mais.... Memória também não é o meu forte... Cool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o casal tentou me convencer pro &lt;i&gt;menage à trois&lt;/i&gt;... &lt;b&gt;Não, não quero. Só um lugar pra passar a noite.&lt;/b&gt; Muita insistência. &lt;i&gt;Se você não quiser, pode só passar a noite...&lt;/i&gt; E lá fui eu, depois de tanta lenga lenga, só para conhecer o lugar, como quem não quer nada....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui andando com a menina, Lia. O Benji continuou procurando pessoas diferentes, especiais, como ele dizia... Malucos como eu que fui, pensei eu naquele momento... Incrivelmente, parecendo me conhecer e ter certeza que eu ia ficar lá – deviam ser os meus olhos- ela foi mostrando o caminho por meio de lugares, parte de trás da Centraal, barca da esquerda ( uma baía linda, diga-se de passagem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversa, conversa. Atravessa a baía. Prédio do lado tal. Rua tal. Blah Blah. Esquerda. Barco Amarelo. Rua Tal. Casa com não sei o quê na porta. Chegamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Bom, é agora.&lt;/b&gt; Entrei, super aconchegante. Quarto legal. Está aqui sua chave, ali é o banheiro, que você faz da vida, eu pinto, eu escrevo, gosto de bichos, tenho isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então eu fui tomar banho... &lt;b&gt;Embora pra quê? Quer saber, eles devem ser legais... No outro dia, eu iria embora bem cedo. E eu tinha a chave do quarto pra todos os efeitos.&lt;/b&gt; Tomei banho e saí. Fim da primeira parte da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui então, livre daquele peso, quase me sentindo em liberdade, dar uma volta. Sem mapa, sem nada. Eu me admiro de não ter me perdido. Parei num coffee shop, claro !!!! E aí, D Ro???? Só podia ter me lembrado desta minha grande amizade brasileira, que há tanto não vejo, está sumida no mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A louca aqui, quando se deu conta, estava tarde da noite no Red Light District, mais um pouco e iam pensar que era um puta abusada saindo detrás do vidro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava cansada e ligeiramente chapada e resolvi voltar. Era cedo. Menos de uma hora da manhã. E eis que encontro o Benji.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Está indo pra casa? Gostou de lá?&lt;/i&gt; &lt;b&gt;Sim, gostei e tô indo descansar porque estou cansada.&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Ah, acho que não vou encontrar mais ninguém hoje, vou com você.&lt;/i&gt; &lt;b&gt;Agora fodeu, literalmente.&lt;/b&gt; Foi o que pensei e ri interiormente... Rir de tudo, inclusive de si mesmo, é quase uma arte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos nós conversando na barca, maior barato, um vento, um frio que “te direi”...Eu estava congelando. Por isso, quando chegamos, entramos em casa e “eles me vêm com ‘quer vinho’ ”, “quer uísque”, pareceu um oásis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neguinho falou: “coitados, deviam estar querendo embebedar você”. Não creio... que fosse!!! Anyway, eu estava bebendo... como zoaria a Thais sobre o uísque duplo, algum tempo depois, in London... Ela dizia que, para me conquistar, bastava me dar um copo. É zoação, gente, sou alcoólatra somente em potencial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As surpresas continuaram. Ouvi altas histórias. Vi várias fotos e dedicatórias. Galera bem doida. E adivinha? Ao som de Maria Bethânia. Sim, eles, os primeiros, adoravam o Brasil e tinham várias músicas de lá/ daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi a primeira noite. Dia seguinte? Tomei um maravilhoso café da manhã, ao meio dia, quando eu ainda estava lá.... AAAAAAAAAAAAAhmsterdam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://duasprimaveras.blogspot.com/" title="Duas Primaveras" target="_blank"&gt;Daniele Sorris&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826259782950956?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826259782950956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826259782950956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826259782950956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826259782950956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/06/casal-maluco-beleza.html' title='Casal maluco-beleza'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826390601356593</id><published>2005-05-08T17:51:00.000-03:00</published><updated>2005-07-18T01:16:40.240-03:00</updated><title type='text'>Cutucando pivete com vara curta</title><content type='html'>Oriovaldo era de lascar o cano como se diz aqui pela região do Vale do Paraíba. Com sete anos mudou-se com a família toda que morava na baixada fluminense e fixou barraco na cidade de Pindamonhangaba,interior de São Paulo. O pai fora contratado pela Aços Villares, como peão de obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo nos primeiros dias na escola primaria já demonstrava a que veio. Irrequieto, arteiro, boca suja, ou melhor, imunda mesmo. Era expert na arte dos palavrões num sotaque carioca exagerado. Um dia apareceu com a boca vermelha e inchada, como se tivesse sido maquiado para virar palhaço. A mãe tinha esfregado com gosto pimenta malagueta numa tentativa inútil de amenizar a carreata de obscenidades. Chegou depois, na santa ignorância, a passar, água sanitária. Bobagem. seu repertório lingüístico era mesmo esse e já estava solidificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aceitava desaforo de ninguém, nem as "otoridades escolares". Ele perdoava, aprontava de tudo e mais um pouco, coisas inimagináveis mesmo: percevejos com a ponta virada pra cima na cadeira da professora, variava também grudando chiclete mascado; tirando o miolo de canetas bic, enchia com bolinhas de papel salivadas e metralhava a bunda da professora que estava de costas para a turma, só pra fazer arruaça. Numa festa em homenagem aos professores substituiu um porta-retrato feito com palitos de sorvete por um sapo asqueroso, o que lhe rendeu cinco dias de suspensão e afastou a professora premiada por alguns dias para se refazer do trauma causado. Mas o pivetinho, o danado, era inteligente, não repetia de ano, nemficava de recuperação, pra desespero dos professores ultrajados. A explicação talvez esteja no fato de que alunos vomitam aulas medíocres e enfadonhas em forma de indisciplina, tal qual quando se come algo estragado e indigesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lascar o cano também era Dona Edileuza, professora já meio passada, muitos anos de magistério, ruiva com uns cabelos lisos, emplastados, grudados na cabeça... Cabelos que a vaca lambeu, falavam as más línguas. Usava um batom vermelho e abusava tanto a ponto de tingir o dentes da frente. Encalorada, arfava o tempo todo, suava, melhor dizendo, destilava, parecendo estar sempre em uma sauna tailandesa. Sofria de pressão alta, era obesa e roliça... Não desgrudava jamais de uma régua imensa presa às axilas, com a visível intenção de intimidar alunos e afins, já que não precisava daquilo: não eranem professora de geometria nem de desenho. Tida e havida como professora enérgica, não se ouvia nem mosca nas suas aulas e disto ela se gabava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Comigo ninguém conta farinha, mais respeito e "menas" (sic) confiança, falava aos quatro cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer senão e régua entrava em ação provocando um verdadeiro estampido ensurdecedor, tamanha a força usada ao bater nas carteiras. Ela também não era fácil não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fama dos dois corria solta pelos corredores da escola. De um lado o pivete indolente, o próprio capeta encarnado, ede outro a déspota hitleriana. Muitos torciam para que se cruzassem, se encarassem num duelo, num tête-à-tête definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu outra. Oriovaldo chegou à quarta série e a classe estava atribuída para Dona Edileuza, e o encontro tão esperado por ambos aconteceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo nos primeiros minutos da aula o pivete escondeu um estojo do colega atrás da lixeira já de caso pensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Edileuza, ansiosa, com ira acumulada e cultivada por longos quatro anos, com a régua em riste, mais vermelha do que de costume aproximou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta aqui, seu pivete mal educado. Eu não sou aquelas professoras pamonhas, bananas, sangue de barata que você teve até agora, viu!!! Por acaso o Sr. sabe com quem está falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É com a Dona Edileuza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oriovaldo, com olhar indolente por debaixo do boné, numa voz pausada e sotaque carioca acentuado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- GRANDE BOXXXXTA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sônia Terclavers&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826390601356593?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826390601356593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826390601356593' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826390601356593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826390601356593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/05/cutucando-pivete-com-vara-curta.html' title='Cutucando pivete com vara curta'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826250118016514</id><published>2005-04-09T17:27:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:28:21.180-03:00</updated><title type='text'>O homem do pastel</title><content type='html'>Morávamos em Barbacena, cidade que já foi reconhecida nacionalmente pelo tratamento de “loucos”, que se alojavam nos manicômios lá instalados. Famílias de todo o Brasil levavam parentes para tratamento em um dos hospitais da localidade. Lembro-me do homem do pastel. Manso, vivia nas redondezas da rodoviária. Pedia dinheiro, comida, bebida e, sobretudo, pastéis. Eu e meu irmão éramos duas crianças, 5 e 6 anos, sentadas no meio fio comendo pastel desavisadamente. O homem alto, magro, cabelos ralos, roupas largas se aproximou e pediu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dá um pedaço de pastel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir aquela voz fina já sabíamos do que se tratava. Não havia como fugir, fomos pegos desprevenidos. Descobrimos, por nossa própria experiência que o louco do pastel não era uma lenda. Era tão real que se encontrava na nossa frente. E para piorar queria um pedaço de pastel. Olhos arregalados, expressão de susto, meu irmão respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente entregou seu pastel inteiro, não apenas o pedaço que ele queria, e fez um primeiro movimento de quem estava prestes a iniciar uma corrida. Foi quando o homem o tranquilizou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenha medo, só estou com fome.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem era um “louco”, como muitos que se vê pelas ruas das cidades. No entanto, também era um ser humano que estava com fome. Desde aquele dia não tive mais medo de loucos. Eles nunca fazem mal a ninguém. Hoje posso agradecer ao homem do pastel por ter ensinado a mim e a meu irmão que “loucos” são pessoas sofridas, abandonadas por familiares. Não são criminosos. São seres humanos excluídos do convívio social!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por &lt;a href="http://www.omartelo.blogspot.com" title="O Martelo" target="_blank"&gt;Emerson Santana&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826250118016514?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826250118016514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826250118016514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826250118016514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826250118016514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/04/o-homem-do-pastel.html' title='O homem do pastel'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826246137491078</id><published>2005-03-30T17:27:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:27:41.376-03:00</updated><title type='text'>O homem invisível</title><content type='html'>A cidade de Embu, onde morei e para onde voltaram todos os meus irmãos e meus pais, sempre foi um ponto de convergência de artistas, pintores, boêmios e outros loucos. Algumas histórias não podem ser contadas, sob pena de arruinar famílias sólidas e -- acreditem! -- deixar muita gente estupefata. Portanto, vou contar o que pode ser contado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contado mas não visto. Porque em Embu tinha o homem invisível. Ele era um negro que não falava com ninguém. Andava por todo lado, fazia o que bem entendia e as pessoas se divertiam com aquele comportamento. Às vezes sentava num banco da praça, braços abertos e pernas cruzadas. Ficava ali horas e horas virando a cabeça de um lado para o outro, acompanhando o vai e vem das pessoas. Quando sentia fome, ia até uma das padarias, pegava alguma coisa e saia comendo tranqüilamente. Era invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forrest Gump tupiniquim, era raro vê-lo parado. Caminhava sempre com um passo ligeiramente acelerado, como se tivesse hora marcada para resolver algo importante. Nos passeios no mato, atrás da Fonte (Água Mineral Embu), lá estava o homem invisível caminhando na direção oposta. Na estradinha de terra da fazenda de um amigo, quilômetros longe do centro: o homem invisível. Comendo pizza no Largo da Matriz e o homem invisível passava quase esbarrando na nossa mesa. Na BR 116, voltando de São Paulo: o homem invisível. Estava por toda parte. Era o homem invisível mais visível de que eu tive notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez encontrei-o em uma padaria em Copacabana. O proprietário partia pra cima dele, pois tentava sair com um pão sem pagar. O homem invisível se assustou(!): Ué, você tá me vendo? Mas eu sou invisível...! Pedi ao português que o deixasse ir e paguei por ele. E lá se foi o pão que flutuava pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana, desaparecendo aos pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826246137491078?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826246137491078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826246137491078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826246137491078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826246137491078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/03/o-homem-invisvel.html' title='O homem invisível'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826241908755724</id><published>2005-03-05T17:26:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:26:59.086-03:00</updated><title type='text'>Rock na periferia</title><content type='html'>Viver na periferia de São Paulo, por incrível que pareça, é como estar na idade média. Não fosse o plim plim da TV que ecoa de algumas janelas de vez em quando e os ringtones de péssimo gosto dos celulares pré-pagos que estão em cada canto, poderia muito bem ser 1200 d.c. ou qualquer data próxima. Nem é só pelo olho-por-olho-dente-por-dente que impera, mas principalmente pela mentalidade tacanha das pessoas. As igrejas ditam comportamentos e cobram as indulgências, e ai de quem não pagar ou andar na linha, porque o inferno está logo ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores pecados por aqui sempre foi gostar de rock’n roll. Lembro de momentos e diálogos impagáveis. Quando começava o culto na rua de trás e o pastor começava a pedir 10,00 para quem quisesse garantir um lugar no céu eu colocava as caixas do meu "3 em 1" na varanda e ligava Black Sabbath no último volume. Tornei-me querido e popular por atitudes assim, e não foram poucos os diálogos como este:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vovó disse que você vai para o inferno porque ouve essas músicas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olha, se no inferno eu ficar livre de ver sua avó e ainda tiver boa música, não vejo a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mas ela disse que quem ouve isso fica louco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- (gargalhadas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois um dos garotos do bairro começou a sair com a minha turma. E não é que ele nem tinha comprado ainda a primeira camiseta do Iron Maiden e já estava andando na rua dando tapas na própria cabeça, correndo em círculos e gritando com pessoas invisíveis? Se me lembro bem ele esperava as senhoras saírem da igreja para correr atrás delas. O cara ficava horas sentado no sofá da minha sala olhando para a parede sem dizer nada ou se mover, e eu pensando que só podia ser praga da avó da garotinha.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que sei, ele está completamente curado hoje –- seja lá o que isso signifique –- e a música não teve nada com a doença dele, ao menos eu espero que não. Mas não me sai da lembrança um dia em que eu voltava da escola de ônibus e, quando passei a catraca, ouvi duas pessoas desconhecidas comentarem: olha ai, este é o rapaz que deixou fulano doido! Até hoje eu prefiro o inferno a toda esta “sanidade” que me cerca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://marcdoni.blogspot.com" title="Me, Myself and I" target="_blank"&gt;Marcos Donizetti&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826241908755724?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826241908755724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826241908755724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826241908755724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826241908755724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/03/rock-na-periferia.html' title='Rock na periferia'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826237333586131</id><published>2005-02-20T17:25:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T17:26:13.336-03:00</updated><title type='text'>Lendas bandeirantes</title><content type='html'>Em São Paulo, cidade grande, conheci alguns personagens lendários. Quem acha que metrópoles estão longe da capacidade de gerar lendas, não conhece São Paulo. Quanto maior a cidade, maior o número de lendas. Aumenta, também, a possibilidade de tais lendas terem uma projeção superlativa, como pede a própria geografia da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o tempo em que vivi em Sampa (você é daqueles que se incomodam quando dizem Sampa? Eu também!), pude desfrutar de encontros ocasionais com o Coreano. Nós o chamávamos Coreano, mas na realidade ninguém sabia dizer se realmente fosse coreano, chinês ou japonês. Para nós, era o Coreano. Tinha o cabelo engomado, penteado e preso por grampos à nuca. Usava um terno preto surrado, não falava uma palavra em português, andava de bicicleta e mostrava um cartaz onde pedia dinheiro para voltar ao país dele. O problema é que o cartaz também estava escrito numa língua oriental. Como é que sabíamos que no cartaz estava escrito um pedido de dinheiro? Não sabíamos! Dávamos algum dinheiro e ele ia embora resmungando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um rapaz negro, uns vinte e cinco anos, roupas esfarrapadas mas espalhafatosas. Usava um capacete de operário e óculos escuros. Mas não trabalhava. Não podia trabalhar: passava o dia inteiro subindo e descendo a Rua Augusta em uma bicicleta, com um apito que ele não parava de assoprar. Se alguém atrapalhasse sua passagem, parava, gesticulava como um guarda de trânsito e apitava de modo ensurdecedor. Sumia em dias de chuva e no período do Natal, quando acarpetavam a Rua Augusta: carpete sujo de óleo escorrega mais que asfalto molhado. Maluco, não bobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra figura enigmática era a Mulher de Roxo. Não sei dizer se fosse doida ou não, mas era uma verdadeira lenda. Ninguém jamais a vira acordada. Ou, quem a viu, não a reconheceu. Podia ser vista dormindo sentada nos pontos de ônibus, com a cabeça apoiada nos próprios seios. Fartos seios. Usava roupas roxas e tinha sempre uma sacola em cada uma das mãos e não era vista de noite. Quando você for a Sampa, observe os pontos de ônibus. Ela ainda deve estar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Assis, interior de São Paulo, existem algumas dessas lendas. Pra falar a verdade, Assis é a cidade com a maior concentração desse tipo de lenda que eu conheço. Deve ser a água. Tem uma doida de Assis que -- loucura das loucuras! -- casou-se comigo. Tranqüilo: também bebi daquela água. Voltando às lendas, em Assis tem o Milionário, um sujeito coberto de correntes e relógios de ouro, com chapéu e pinta de fazendeiro e que só conversa sobre seus investimentos de milhões de dólares -- "Que real é dinheiro de pobre!" Onde cair morto, tem. Não tem é onde viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando para Sampa e, loucuras àparte, meu personagem preferido era o Jacaré. O mais simpático e conhecido integrante do Exército da Salvação, o carismático Jacaré rodava todos os bares da cidade angariando fundos para a instituição. Sentava, conversava, contava piadas e ria das nossas. Muitos dos mais importantes bares e restaurantes da cidade mantinham sua foto próximo à entrada, informando que aquela era sua área. Depois da sua morte, muitos restaurantes e bares mantiveram a foto. Jacaré faz parte da história contemporânea de Sampa, que ficou menos simpática desde que ele se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826237333586131?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826237333586131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826237333586131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826237333586131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826237333586131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/02/lendas-bandeirantes.html' title='Lendas bandeirantes'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-111826229487404764</id><published>2005-02-17T17:24:00.000-02:00</published><updated>2005-06-08T17:24:54.880-03:00</updated><title type='text'>Louco de Ciúmes</title><content type='html'>Procura-me um rapaz (N.) de 20 anos, universitário. Acaba de perder a namorada (T.):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ela é linda, doutor, uma modelo. A gente namora desde o segundo ano do colegial, eu com 15 ano e meio, ela com 14. Fazíamos tudo junto: fins-de-semana, festas, passeios, almoços, cinema, até a própria faculdade: ela quis entrar pra mesma faculdade que eu, um ano depois de mim. A gente só não se via quando estava dormindo! Agora, ela não quer saber mais de mim, brigou comigo. Chegou pra mim, de repente, na quarta-feira passada e, sem mais nem menos, falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, N., há dois meses estou pensando nossa relação. Resolvi dar um tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas palavras me detonaram, Doutor. Desmontei. Chorei, implorei, falei que ela estava errada, que ela era a mulher de minha vida. Mas ela foi irredutível, saiu do carro, lá no estacionamento da faculdade e me deixou ali, feito criança, chorando. Na hora do almoço não fui pra minha casa, mas pra casa dela. Cheguei lá e falei com a mãe dela que T. estava ficando louca! A T. chegou e nem queria olhar pra mim. Mas insisti que deveríamos conversar mais. Aceitou. Fomos pro quarto dela e, aí, ela falou que não suportava mais meus ciúmes, que queria viver a vida, que queria sair com os colegas – coisa que eu não deixava. Se eu nem mesmo tenho amigos, como é que vou ficar sem ela? Mas ela não cedeu. Então lhe prometi que iria mudar, seria outro homem, que ela poderia sair, sim, mesmo que me machucasse. Jurei, da boca pra fora, claro, que a deixaria ir às festas da turma dela sem mim, que fosse ao shopping com as colegas, até mesmo que viajasse prum sítio, no final de semana. Mas ela tinha de me prometer que não ficaria com ninguém, que não beijaria ninguém, pois eu não suportaria. Eu me mataria se soubesse disso. Ela concordou e só então fui pra casa. À noite, liguei pra ela, só pra conversar como amigos e não a encontrei. Ela tinha ido pro barzinho com a turma dela. Não agüentei: desci a Avenida Afonso Pena a 140km, cortando pela direita e pela esquerda, devo ter sido multado naquele radar da Contorno, ali do Tobogã, o senhor sabe? Cheguei na Prudente de Morais. Ela bem ali, alegre, rindo, cheio de gente, uns caras que eu nunca vi. Avancei pra cima dela. Só não bati, mas xinguei de tudo: irresponsável, insensível, traidora, burra! Burra, sim, porque me tinha largado pra ficar com gente que só quer saber de sarrar ela. Burra porque não enxerga meu amor por ela, que ela é a mulher de minha vida. Tenho certeza disso, ela é a mulher de minha vida. O pessoal até me segurou, senão teria batido nela. Acabei indo pra casa, arrependido, com medo de ter colocado tudo a perder, pois eu a agredi feio. Não durmo desde então. Hoje é segunda e não consigo comer desde quarta-feira. Emagreci já 6kg por causa dela. A vida perdeu o sentido, doutor. Quero morrer. Mas não tenho coragem de me matar, não vou deixá-la por aí. Ainda mais porque acredito que ainda vou reconquistá-la. Posso falar com ela pra vir aqui? Pra ela fazer uma terapia com o senhor e voltar atrás? O senhor me ajuda?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Considerações sobre os ciúmes em &lt;a href="http://prascabeças.blogspot.com" target="_blank"&gt;PrasCabeças&lt;/a&gt;) - Cláudio Costa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-111826229487404764?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/111826229487404764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=111826229487404764' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826229487404764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/111826229487404764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/02/louco-de-cimes.html' title='Louco de Ciúmes'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110852142165535215</id><published>2005-02-16T00:35:00.000-02:00</published><updated>2005-02-16T00:37:01.660-02:00</updated><title type='text'>Aliens II</title><content type='html'>Dunha era o homem do saco. Aquele que carrega sempre um saco de estopa nas costas e que as mães usam como ameaça: "Se você não for dormir já, vou chamar o Dunha." Se as crianças soubessem que o Dunha não fazia mal a ninguém...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com menos de metro e meio, sempre sem camisa sobre aquele corpo franzino e encurvado, trabalhava de sol a sol. Passava o dia inteiro empurrando um carrinho de mão, ajudando (ou trabalhando?) em alguma pequena reforma, alguma obra. Pela manhã não falava com ninguém. Andava de cabeça baixa. Depois do almoço, depois das primeiras pingas, conversava com quem quer que o olhasse nos olhos. Ele levantava a cabeça de lado (caminhava como se fosse corcunda) e começava a falar. O problema é que ninguém entendia nada do que dizia: "dunhunhu unhu nh..." e destrambelhava a falar. A única coisa possível de entender era "pinga": "dunhunhu unhu nh pingaê, pinga..." Mas seus parentes o reprimiam quando ele bebia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam que ele tinha sido professor de educação física, que tinha algum dinheiro e o álcool o deixara assim. Não sei. Nunca tive coragem de perguntar. Só ficava com raiva quando via alguém ameaçar de chamar o Dunha para alguma criança. Ele não fazia mal a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anoitecia e o Dunha desaparecia. Acho que os parentes (sobrinhos, eu acho) o levavam para casa. Ou ele, bêbado, desmaiava no seu quarto. Mas toda manhã, quando eu ia para a escola, lá vinha o Dunha, com sua integridade recuperada, cabeça baixa e empurrando o carrinho de mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Magrela passa o dia caminhando. Está sempre apressado, a pé ou de bicicleta. Deve ter alguma coisa importante pra fazer. Fala e reclama o tempo todo. E te olha com cara de brabo. Magrela nem é o seu nome, ou espero que não o seja. É apenas como eu o chamo, já que não sei que nome tem. É magro, de estatura mediana e deve ter uns trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem parentes na cidade, visto o modo como o tratam. Na Via Calzolai, no centro, a senhora dona do antiquário saiu no frio para conversar e dar-lhe atenção. Pelo carinho e sorriso, imagino que seja sua tia. Ela o convidou para entrar, enquanto ele explicava o que aquele homem havia feito. Parecia ser importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de encontrar com o Magrela quando saio para fumar meu charuto. Ele detesta cheiro de charuto e assopra com o nariz. Reclama e fala alto. Noutro dia, estava parado fora do bar onde acabara de tomar o café pra fazer boca de pito. Enquanto acendia o charuto ele apareceu. Começou a resmungar e diminuiu o passo na minha direção. Num instante, tirei um outro charuto do bolso e ofereci a ele. De braços levantados e olhos arregalados, gritou: "O senhor é um louco! Um louco!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo sábado saio com a Luiza para dar uma volta antes do almoço. Como a Eloá trabalha aos sábados e a Bianca vai à escola, saímos só nós dois. Passeamos pelo centro e bisbilhotamos o fim da feira, vitrines e livrarias. Aproveito para tomar um café e fumar meu charuto. A Luiza toma um suco e come um brioche. Depois, compramos jornal e damos uma boa caminhada de uma hora. O tempo que preciso para queimar o meu corona. Conversamos muito e observamos as lojas, as pessoas, os cães. Pois foi num desses momentos que aconteceu uma cena banal, da qual fui testemunha. Uma senhora bem vestida, cinqüenta, cinqüenta e cinco anos, caminhava e conversava com a filha (uns vinte e cinco anos). O dia nem era dos mais frios, mas o vento realmente incomodava. A moça parou para fechar o casaco no exato momento em que a mãe começava um assunto. A senhora falava e gesticulava, sem dar-se conta de que a filha ficara para trás, bem para trás. Um grupo de pessoas que passava desviou da senhora, que, notando o espanto nos rostos das pessoas, descobriu-se falando sozinha pela rua. Envergonhada, cobriu o rosto com as mãos, como um elefante que se esconde debaixo do sofá. Do outro lado da rua, um pai com sua filha davam boas risadas da falsa louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110852142165535215?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110852142165535215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110852142165535215' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110852142165535215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110852142165535215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/02/aliens-ii.html' title='Aliens II'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110748186774405101</id><published>2005-02-03T23:50:00.000-02:00</published><updated>2005-02-03T23:51:07.743-02:00</updated><title type='text'>Trilogia da Sandice Geracional Alheia Observada</title><content type='html'>Calhou da Verinha ser adolescente nos anos 60.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apelido hoje é "Tamanduá"; ela sempre vai no montinho quando a cocaína é dividida. Põe a culpa nos óculos, cerca de 10 graus! "Não enxergo direito!" -- e vai no montinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ótima cozinheira, vive de preparar salgados para bares e acaba sempre filando uma cerva. Trabalha durante o dia, sai distribuindo os petiscos e encontra, no início da noite, já meio trançada, os amigos do mal. E vai noite adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que a encontrei foi numa danceteria. Estava no balcão, encostado, tomando uma, chega a Vera, um metro e meio de altura, olhos esbugalhados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Você viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- O quê, Verinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Uma nave espacial! Ela entrou aqui, soltou um raio, paralisou todo mundo! Era desse tamanho -- abriu os braços, mais ou menos um metro de comprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Nossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Aí eu ouvi uma gargalhada, eles foram embora e tudo voltou ao normal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 70 acontecia, anualmente, um show de rock numa praça perto de casa. A figura marcante era o Berto -- ninguém sabia o nome dele. Era um louco do bairro, calmo, difícil vê-lo pela rua... Mas quando tinha o show ele se instalava lá na frente do palco e ficava dançando como um louco. Fazia um gesto constante: colocava os braços para trás, erguia a cabeça (era alto), inflava as narinas e aspirava. Buscava a brisa da ganja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do show ficava impossível, dançando como um louco (que era).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei de quem foi a idéia, deram para ele de presente um walkman com uma fitinha de rock. Não sei o que tinha nela, uns diziam que era Uriah Heep, outros que era Ten Years After.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então ele passou a andar rápido pelas ruas, fone nos ouvidos. Parava de repente, botava-se em posição, e aspirava. No final do dia estava praticamente a correr pelas ruas do bairro -- e ai de quem ficasse em sua frente. Morreu atropelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deu azar de ser adolescente nos 80. Andava com o "Head on the Door" debaixo do braço. Foi gótica e punk. Vestia-se de preto. Num momento enfiou um afinete no nariz. Noutro raspou as sobrancelhas. Bebia tudo o que lhe caísse à frente. E não rejeitava qualquer droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando percebeu, tinha passado dos 25 anos. Ainda era bonita, mas o corpo estava gasto. Queria um namorado, uma estabilidade e filhos. Não achava um pretendente. Achou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tentou enquadrar ela -- mas ela tinha problemas com autoridade. Tiveram várias brigas e dizem que ele batia muito nela. Na cabeça, pra não deixar marca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando viu que seria difícil, deu um chute nela. Sem amor, quer da família, quer de quem seja, vivenum quartinho fedido com um monte de cães e gatos. Eu a conheço e a visito sempre. É uma das pessoas mais inteligentes que conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tiroequeda.com.br" title="Tiro e Queda" target="_blank"&gt;Luiz Biajoni&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110748186774405101?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110748186774405101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110748186774405101' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110748186774405101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110748186774405101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/02/trilogia-da-sandice-geracional-alheia.html' title='Trilogia da Sandice Geracional Alheia Observada'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110714949376603742</id><published>2005-01-31T01:30:00.000-02:00</published><updated>2005-01-31T03:31:33.766-02:00</updated><title type='text'>Aliens</title><content type='html'>Jorge, aliás, Jorjão, era realmente muito alto. E forte. Quando alguém ousava contrariá-lo, gritava: "Olha que eu sou louco! Não respeito ninguém. Arrebento tudo!" Mas não era louco coisa nenhuma. Apenas se aproveitava do seu tamanho para intimidar todos. No cartório do fórum, onde trabalhava, gritava até com o juiz. E todos tinham medo dele. Principalmente quando gritava "...sou louco! ...arrebento tudo!" Ficava vermelho e parecia aumentar de tamanho. Gesticulava os braços e caminhava em direção às pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mulher pedia que ele se acalmasse e entrava nafrente, tentando impedir que ele avançasse sobre as pessoas. Ele a empurrava e ficava mais vermelho ainda. E gritava. "Olha que eu sou louco..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, acordou chorando: "tenho medo..." e ninguém conseguiu descobrir do quê. Nunca mais foi o mesmo. Foi internado. Quando os hospícios fecharam, sua mulher levou-o para casa. Não é perigoso, pode ser tratado em casa. Passa os dias sentado, cabeça e ombros encolhidos. Às vezes chora. Não é mais Jorjão, só Jorge. É louco e não assusta ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dunga era um hippie. Alto, forte e manso. Paz e amor, bicho. Conheci-o no início dos anos setenta, quando ele fugia da clínica que recuperava viciados em drogas. Não era exatamente maluco, mas creio que as substâncias que ele consumiu provocaram uma mudança nas suas capacidades mentais. Fugia da clínica às sextas, dava umas voltas, consumia álcool ou outra coisa e era recuperado no sábado ou no domingo, antes do horário de visitas. Era uma verdadeira enciclopédia do rock. Sabia tudo sobre a história do rock e seus principais personagens. Dedilhava a guitarra imaginária de Hendrix e imitava a voz rouca de Janis Joplin: "&lt;i&gt;Oh, Lord, won't you buy me a Mercedes Benz&lt;/i&gt;"... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminou seu período na clínica, continuou morando no Embu. Dizia estar fora das drogas, mas os efeitos eram irreversíveis. Fazia flautas de bambu como ninguém e as vendia na feira de artesanato aos domingos. As flautas tinham uma afinação perfeita. Certa vez sua filha foi visitá-lo. Era advogada ou arquiteta. Mas ele havia rompido com o passado. Abraçou a filha e o marido dela. Passeou de mãos dadas. Chorou. Mas jamais foi procurá-los na vizinha São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dunga tinha uma sua casinha, fazia um pouco de dinheiro, mas gostava mesmo era de passar o dia perambulando, pedindo esmola e dormindo no banco da praça. Às vezes alguém se irritava e batia nele. Chorava e corria para a padaria, onde o proprietário o protegia, além de dar-lhe comida e uma cachacinha. Era incapaz de fazer mal a uma mosca. Enorme, mancava da perna direita, cabelos e barba compridos. Quando ficou doente, levaram-no para o hospital e parece que aceitou ajuda da família. Depois, voltou. Perambulava por toda a parte. Às vezes incomodava mesmo. E escolheu como último leito o banco ao lado da igreja. Paz e amor, bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das Dores era uma mulata bem apessoada (na época, se dizia assim). Num daqueles longínquos subúrbios do Rio, morava com a família. Não a sua família, mas aquela que a havia adotado. Fora acolhida um dia, ainda menina, quando eles cansaram de vê-la dormir sob a marquise da quitanda (na época, tinha quitanda). Ninguém nunca soube de onde ela apreceu. Nem ela. Só sabia o próprio nome: Das Dores. Das Dores ria sempre. Jamais usou as palavras morte, doença ou qualquer outra que pudesse transmitir tristeza ou sofrimento. Apesar disso, fazia comentários que nos permitia entender suas crenças. Quando assistia televisão e aparecia algum ator jovem, dizia: "Tadinho, tão novinho..." A caixa barulhenta que tocava música era a ligação deste mundo com o dos mortos. Quando alguém morria, ia pra lá. O vizinho morrera num domingo, em meio ao programa do Chacrinha (na época, o Chacrinha tinha um programa). No domingo seguinte, apesar do medo que ela tinha do Chacrinha, foi assistir à TV porque queria ver o vizinho, que sempre lhe fora gentil. Não a deixavam usar saias curtas, pois sentava de qualquer jeito. Mas não usava calça comprida de jeito nenhum. Ajudava na arrumação da casa e aprendeu a cozinhar como poucos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando visitava o pessoal do subúrbio, me divertia batendo papo com Das Dores, que não falava coisa com coisa. "Moço, você viu aquela música nova que tá tocando no rádio? Eu que fiz. Mas não quero mais não porque agora tá na caixa. Você já namorou? Quando eu crescer, vou arrumar um homem bem bonito pra casar." Mas ela já era crescida, apesar de moça (na época, existiam moças). E ria o tempo todo. Uma felicidade infantil e contagiante. Um rosto bem feito e olhos grandes. Dizem que ela não envelheceu nem um dia. Continua com a aparência jovem de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110714949376603742?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110714949376603742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110714949376603742' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110714949376603742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110714949376603742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/aliens.html' title='Aliens'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110711540775514224</id><published>2005-01-30T18:02:00.000-02:00</published><updated>2005-01-30T18:04:06.246-02:00</updated><title type='text'>Osvaldinho</title><content type='html'>Osvaldinho tinha um escravo. O escravo de Osvaldinho era seu motorista, guarda-costas, servo, companheiro e babá dos garotos de rua que Osvaldinho recolhia em sua casa. Certa vez impediram Osvaldinho de entrar em uma boate. O leão de chácara disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Desculpe, doutor Osvaldo! Recebi ordens de não deixá-lo entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osvaldinho, contrariado, ordenou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Escravo, dê um soco nele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escravo de Osvaldinho, um metro e setenta, uns setenta quilos e muito mais maluco que o patrão, não esperou uma segunda ordem e deu o soco no grandão. Osvaldinho ainda tentou proteger o escravo e acabou, também ele, levando uns safanões. Entraram na Mercedes e sumiram na noite. Terminaram a madrugada em uma delegacia, por terem despejado dois galões de piche na enorme porta de madeira da boate, antes de atearem fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osvaldinho gostava de fazer coisas esquisitas. Osvaldinho era esquisito. Decidiu correr toda manhã, mas tinha preguiça. Acordava o escravo e mandava-o ir de carro atrás. Quando cansava, entrava no carro e continuava o passeio. Uma madrugada, cansado do cooper, decidiu entrar no carro e disse que queria dirigir. Como não pegava bem ter o escravo como passageiro, mandou-o ir a pé, correndo atrás do carro. Rodou outras duas horas, seguido pelo escravo, que não tinha porte atlético e ainda levava pelo corpo as marcas de uma surra da noite anterior. Osvaldinho dizia que o importante era dar o primeiro soco e o escravo vivia apanhando na rua. "Escravo, bate nele!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorava quando forravam a Rua Augusta com carpete, antes do Natal. Pegava um cavalo e ia dar umas voltas sobre o carpete colorido. Certa vez estacionou um Porsche dentro do saguão do aeroporto de Congonhas, meteu as chaves no bolso, pegou um avião e partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osvaldinho sempre arrumava confusão. Quando passava dos limites, esqueciam a influência da família rica e o punham pra fora. A família pagava pela distância de Osvaldinho. Em alguns locais ele simplesmente era proibido de entrar. Osvaldinho se vingava. Foi numa dessas que Osvaldinho teve a idéia que mais me divertiu. Proibido de entrar no fechadíssimo e elitizado clube por dois meses, Osvaldinho reuniu a molecada que ele abrigava em sua mansão, ordenou ao escravo que comprasse um lote de Alka-Seltzer e sacos de estopa. Com ajuda dos meninos e do escravo, Osvaldinho encheu alguns (alguns!) sacos de estopa com o Alka-Seltzer devidamente livre do invólucro, alugou um helicóptero e jogou os sacos dentro das piscinas do clube, numa ensolarada tarde de domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como até mesmo a magia dos loucos é insuficiente para driblar a fatalidade, nem o escravo conseguiu livrar Osvaldinho da morte. Morte natural. Coisa esquisita para um sujeito esquisito como Osvaldinho. Mas o escravo continua vivo. Com a morte de Osvaldinho, o passe do escravo foi disputado a tapas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110711540775514224?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110711540775514224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110711540775514224' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110711540775514224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110711540775514224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/osvaldinho.html' title='Osvaldinho'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110694676438833418</id><published>2005-01-28T18:59:00.000-02:00</published><updated>2005-01-28T19:12:44.386-02:00</updated><title type='text'>O Gigante do Pé-de-feijão</title><content type='html'>Talvez minha mais antiga lembrança do diferente seja o Manelão ou "Gigante do pé-de-feijão", como nós, crianças, o chamávamos. Se não for a mais antiga é certamente a que mais me intrigou, tanto pela familiaridade, éramos da mesma vizinhança, quanto pelo fato de sua loucura ser tão próxima do normal, próxima de nós mesmos. Mais que compaixão, essa proximidade gerava repulsa nas pessoas. Ninguém queria se ver remotamente espelhado em tão miserável figura. Imagem viva de tudo que consideraríamos fracasso, ele parecia viver um passo além da linha de retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um homenzarrão. Grande, gordo, careca, mau encarado e, principalmente, feio, muito feio. Ninguém nunca o viu de banho tomado e a barba grisalha estava eternamente por fazer. Seu mau cheiro era lendário. Amarrava as calças com uma corda - desnecessário, já que calça nenhuma poderia ser mais larga que sua cintura - e usava sandálias franciscanas que pareciam prestes a explodir com a pressão dos pés inchados. Com esse aspecto é fácil entender o apelido que demos a ele. Sua figura era a do próprio vilão da estória infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solitário, não tinha família, amigos, nem bicho de estimação. Eu nunca soube muito sobre ele ou seu passado. Ninguém me disse, nunca perguntei. Desde que me entendo por gente ele já estava lá, cuidando do seu sebo. Sim, ele era comerciante, tinha casa e loja no mesmo prédio. E mais, tinha diploma pendurado na parede. Bacharel em Direito. Formado pela mesma faculdade na qual estudei anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua casa e loja eram velhos, sujos, mofados e fediam tanto ou mais que o dono. Mas, invariávelmente, era para lá que, não sem protestos, todos se dirigiam depois de procurar desesperadamente por um livro e não encontrar. Ele tinha de tudo. Acho que se pedissem a Bíblia de Gutemberg era capaz dele abrir um alçapão no assoalho e tirar dois exemplares. Era para isso que ele vivia, acumular livros e depois vendê-los. Sempre com uma raiva que quase te fazia desistir da compra. No fundo talvez fosse isso que ele quisesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louco aos olhos de todos, mas não do tipo de trancar em hospício, sua loucura era uma tristeza imensa que o fazia, já morto, perambular entre os vivos. Num dia qualquer que ninguém soube precisar ele se mudou. Talvez algum cliente mais assíduo tenha notado de pronto, mas, a maioria não notou. Só notei semanas depois, quando, passando por lá, ví a placa de "vende-se" colocada pela imobiliária. Para onde foi? Não sei. Ninguém disse, ninguém perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="ramblues_02@hotmail.com" title="e-mail"&gt;Roger&lt;/a&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110694676438833418?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110694676438833418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110694676438833418' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110694676438833418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110694676438833418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/o-gigante-do-p-de-feijo.html' title='O Gigante do Pé-de-feijão'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110631205963418106</id><published>2005-01-21T10:48:00.000-02:00</published><updated>2005-01-21T22:23:14.566-02:00</updated><title type='text'>Inps, um Louco Multifacetado</title><content type='html'>   &lt;p class="MsoNormal"&gt; Inps era peão de obra e não há nenhuma história confiável do que o teria levado a loucura, porém uma coisa é certa, teve uma primeira fase safada, de pegar em peitinho de moça e descer rua assoviando prá dentro atrás das mulheres. Nada que algumas bordoadas e doses cavalares de remédios não tenham brochado, afinal ficou convencionado que a putaria e a safadeza são só para os sãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inps passou então a ser um louco tranqüilo nas ruas de minha cidade, até que seus pais conseguiram aposentá-lo por deficiência mental. A condição de pensionista passou então a ser sua maior preocupação, o que depois de descoberto pela molecada tornou-se sua tortura. Ameaçavam-no a toda hora com a perda da vantagem, ao que Inps respondia primeiro com o socorro do prefeito (só ele poderia tirá-lo a sinecura), depois do presidente até que, confiante, respondia que só o papa poderia acabar com sua renda. Mas nada deixaria em paz a turba, que logo inventou, ou descobriu, que o bebão marido de sua irmã era quem consumia toda a sua renda. Inps rebatia incontinenti que era sua mãe que recebia o dinheiro, sem conseguir convencer a ninguém, o que o deixava louco (ops!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inps era um homem só. Zanzava pelas ruas, fazia seus pedidos, era abordado pelos brincalhões de plantão, até que um dia, estranhamente, sua vó começou a segui-lo a todo lugar que fosse, para evitar que bebesse. Claro, esqueci de dizer que Inps gostava de virar um copinho, o que combinado com os remédios dava bastante trabalho aos seus familiares. Era estranho ver aquela velhinha, extremamente magra, vestido estampado e sandálias na mão seguindo aquele maluco cidade afora. Quando Inps entrava nas lojas para pedir, a velhinha ficava na porta, como um cãozinho obediente a balançar suas sandálias. Deve ter morrido, porque de repente desapareceu, e a morte, por sinal já era a um bom tempo a nova fixação do nosso herói, que fixações parecem ser o alimento dos loucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois Inps ultimamente não perdia um enterro na cidade. Estava a casa em desespero, os filhos chorando, a viúva inconsolável, quando chegava Inps e, para constrangimento de todos, perguntava a um como tinha sido a morte a se aquela era a viúva, se tinha deixado dinheiro e explicando que quando morresse ia ser enterrado em um caixão de madeira com janelinha de vidro, mas não agora, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inps tornou-se o terror dos velórios e entrava nas lojas já anunciando as mortes do dia. A figura ainda gira em nossa cidade, importunado por uns, importunando a outros, burilando sua loucura e em busca de novas fixações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://singrando.org/" title="SINGRANDO" target="_blank"&gt;Reginaldo Siqueira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110631205963418106?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110631205963418106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110631205963418106' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110631205963418106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110631205963418106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/inps-um-louco-multifacetado.html' title='Inps, um Louco Multifacetado'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110629721531094209</id><published>2005-01-21T06:45:00.000-02:00</published><updated>2005-01-21T06:46:55.310-02:00</updated><title type='text'>Os Cinco Loucos De Que Me Lembro de Supetão</title><content type='html'>- a &lt;i&gt;motinha&lt;/i&gt; do Magal, barulhos e &lt;i&gt;guspes&lt;/i&gt; pela banguela, mãozinha da pinga acelerando, mãozinha da flor na embreagem, ele levava quem quisesse carona, na sua Honda (sem sobrenome) imaginária, era só pedir pra ele ligar, a motinha nunca negou fogo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- as pedradas e palavrões voando certeiros na molecada, cada vez que alguém gritava: vovozinhaaaaaa... era a única palavra que não podia ser ouvida e adivinha qual a mais berrada. E a vovozinha corria surpreendentemente ligeira, quase alcançou o Manabu;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o silêncio de seo Zé, ex-rico, ex-influente, ex-amante, o mudo seo Zé, lembrava de longe o Arafat, se a barba fosse maior e desgrenhada. Os olhos mais tristes que já vi. Desconfio que não relou no gargalo da pinga, durante os anos em que passou por onde eu morava, sempre no mesmo nível que ela parecia estar. Um dia não sei o que falei, ele cantou uma música, sem parar de andar nem olhar para os lados. A cada dia falei a mesma coisa, agora esquecida. Era o botãozinho &lt;i&gt;on&lt;/i&gt;, seo Zé cantou diariamente até o dia em que ninguém cruzou a frente de casa, no horário habitual, o dia do nunca mais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o saco de Luiza, inexistente para o mundo e amiga da minha avó. Terror da infância socorrense, se a promessa de deixar-nos no orfanato desse errado, a última ameaça era sermos entregues pra Luiza pôr no saco junto com todos os seus pertences e comer devagarinho;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o sinal do cara do saquinho, agora esqueci o nome: poesia inimaginada e quieta feita com as mãos, o cara do saquinho percorreu a vida com um saco plástico transparente na mão direita, fazia com o saquinho e o ar o sinal do infinito, na frente do peito. Jamais deixou de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cinco loucos dos quais me lembro de supetão. Alguns de Socorro, outros de Atibaia. Busquei alguma história de cada, mas vejo que todos tiveram apenas a sua pré-história, trocada por algum motivo (só imagino obviedades) por um cotidiano binário, menos que isso até, pois só havia uma tecla: um 0 ou um 1. Só havia a motinha, a pedra, a pinga, o saco e o saquinho. O resto dá pra se imaginar o quanto doeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.madureiras.blogspot.com/" title="Madureiras" target="_blank"&gt;Madureira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110629721531094209?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110629721531094209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110629721531094209' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110629721531094209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110629721531094209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/os-cinco-loucos-de-que-me-lembro-de.html' title='Os Cinco Loucos De Que Me Lembro de Supetão'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110619127296973243</id><published>2005-01-20T01:20:00.000-02:00</published><updated>2005-01-21T06:48:22.696-02:00</updated><title type='text'>Morreu Gagarín!</title><content type='html'>Ano de 1968. Eu caminhava devagar, indo para a escola, quando vi, ainda longe, alguém que vinha gritando pela rua. Era um mendigo que costumava perambular ali por perto do mercado da cidade. Nem sei se era mesmo louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longe, não dava para entender o que ele dizia. Mas quando me aproximei ouvi a voz triste do mendigo que hora gritava, hora sussurrava: Morreu Gagarín! Morreu Gagarín! Morreu Gagarín! Eu, que não conhecia Gagarín, imaginei que ele talvez chorasse algum parente ou amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias mais tarde, vim a saber que o Gagarín era Iuri Gagarin, o primeiro homem a ir ao espaço e a orbitar a Terra, em 1961, e que havia morrido naquele dia de 1968. Lembrei-me de imediato do louco e da tristeza que ele demonstrara ao chorar por Gagarin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de lá para cá, quantas vezes não me peguei tentando entender por que, para um homem de rua de uma cidadezinha do interior do Estado do Rio de Janeiro, a morte de Gagarin tinha sido assim tão importante... Que sonhos aquele mendigo teria acalentado, que mundos ele teria sonhado, que viagens espaciais ele teria desejado, a ponto de estabelecer uma ligação tão forte com o astronauta soviético morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Bear&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110619127296973243?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110619127296973243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110619127296973243' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110619127296973243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110619127296973243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/morreu-gagarn.html' title='Morreu Gagarín!'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110610122425587931</id><published>2005-01-19T01:19:00.000-02:00</published><updated>2005-01-19T00:20:24.256-02:00</updated><title type='text'>Canabrava Era o Nome</title><content type='html'>Ela dava aula de música. Senhora de uns 68, 70 anos. Cabelos brancos, lisos, 2 pares de óculos nadando nas cercanias do pescoço. Ora um, ora outro, eram levados aos olhos, dependendo da distância do olhar. Nós a achávamos louca. Tínhamos uns 13 anos. Hoje 13 anos ganha salário de top model ou mata de metralhadora, dependendo da miséria envolvente. Naquela época, éramos, aos 13 anos, umas bobocas, virgens, a maioria de boca também, longe até o primeiro beijo. Mas Dona Clarice era chamada de louca. No frio, naquela sala de aula enorme, ela metia os pés dentro da lata de lixo (depois de jogar o lixo no chão) dizendo que era pra esquentar. Mandava-nos solfejar o Ouvirandu... Até hoje me lembro que decorei as notas: do, fá, mi, lá, sol... Um horror!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntava as 4 classes da mesma série no anfiteatro e nos obrigava a cantar "foi boto sinhá, foi boto sinhô..." em 4 vozes diferentes. Ficava parecido com o que várias matilhas de lobo fariam juntas em noite de lua cheia...&lt;br /&gt;No piano a velha Clarice arrasava. Acho que é por isso que eu me voltei pra percussão. Ela martelava as teclas com perícia de tocador de atabaque em noite de Oxum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou a vida inteira dando aula de música. Morreu dando aula, praticamente. Em escolas estaduais. Botando os pés na lata de lixo no frio, usando dois pares de óculos e se confundindo toda na hora de escolher qual, trocando os nomes dos alunos, tendo uma fixação absurda pelo tal do boto, sendo muito paciente e generosa com todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma louca, definitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mansa, muito mansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.gardenal.org/checaribe/" title="Che Caribe" target="_blank"&gt;Maray Furnari&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110610122425587931?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110610122425587931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110610122425587931' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110610122425587931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110610122425587931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/canabrava-era-o-nome.html' title='Canabrava Era o Nome'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110598043880688058</id><published>2005-01-17T14:34:00.000-02:00</published><updated>2005-01-17T14:47:18.806-02:00</updated><title type='text'>O Cego</title><content type='html'>Ele não era exatamente cego, era louco. Não falava com ninguém, preferia falar sozinho. Às vezes trombava com as pessoas e sequer pedia desculpas: não as via. Ou fingia não ver. Assustava-se quando acontecia um esbarrão mais forte. Fazia cara de apavorado, com os olhos arregalados, como a procurar alguém que jamais encontrava. Xingava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Mas será que eu realmente estou ficando louco? Porque não vejo ninguém e os carros e ônibus continuam a passar vazios? Onde foram parar todos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma aparência mal cuidada, com a barba sempre por fazer e as roupas amarrotadas. Não chegava a ser maltrapilho, apenas parecia abandonado. Certa vez o vimos sentado no muro do Passeio Público. Passou o dia lá, falando sozinho. Ou com alguém que só existia na sua imaginação. Estou ficando cego!, gritava, às vezes. Outras vezes fazia longos discursos, que ninguém parava para escutar. Tinha sempre um olhar vazio, solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Amigos, onde estão vocês? Se vocês puderem me ouvir e quiserem falar comigo, vou passar o dia aqui, sentado. Vejo os objetos mas não vejo as pessoas. Não vejo vocês. Tudo é real, não me parece um sonho. Por favor, só quero falar com algum conhecido. Estou ficando cego...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos mantinham distância dele, sempre mau humorado e a boca cheia de palavrões. Gritava e xingava. A caixa do supermercado tinha medo, muito medo. Ele chegava, perguntava se ela tinha visto mais alguém e, diante do silêncio dela, xingava e fazia suas compras, falando o tempo todo. Eram coisas simples, as que ele comprava. Frugais, espartanas. Diziam que era aposentado e que foi parando de falar com as pessoas aos poucos, depois da morte da mulher. Não tinha filhos ou parentes conhecidos. Outro com quem ele falava era o funcionário do banco. Uma vez por mês ia retirar dinheiro e passava na frente da fila. O funcionário pedia que aguardasse a sua vez, ao que ele respondia que se o banco estava vazio, não precisava esperar. O funcionário, acostumado, pedia paciência ao cliente junto ao guichê e argumentava que seria mais rápido atendê-lo de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Moça, você viu mais alguém hoje? Por que você me olha sempre com cara de quem viu fantasma? E porque essa merda de supermercado fica aberto o dia inteiro se o único cliente na cidade sou eu? Você não fala nada? Puta que pariu! Acho que nós estamos mortos e não conseguimos achar o caminho para sair daqui. Ou os outros é que morreram e nós ficamos sozinhos. Fala alguma coisa, merda! Não, eu não posso estar morto: ainda sinto frio, fome, dor. Mas um dia acabo com essa história!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano passado tiveram que chamar a polícia. Às três da manhã estava parado em frente a um pequeno prédio, gritando o nome de um antigo morador. Ignorava os pedidos dos vizinhos que saíram às janelas. Explicavam que o fulano não morava mais ali, que havia mudado para a casa da montanha, depois da aposentadoria como encanador. Pediam que voltasse pra casa. Mas ele não ouvia ninguém e continuava a chamar: Eu sei que você está aí. Nem precisa responder, mas, por favor, vá a minha casa consertar o sistema de aquecimento, antes que o inverno chegue e me mate de verdade. Quando a polícia chegou não o encontrou ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte foram entregar a intimação da queixa registrada pelos moradores. Como sempre, não respondeu. Três dias depois, com autorização judicial, abriram a porta do seu pequeno apartamento. Encontraram tudo arrumado e limpo. Os poucos móveis, lustrados. Sobre uma escrivaninha, maços de cartas velhas amarrados com barbante. Tudo cuidadosamente arrumado. Dele, nem sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais foi visto ou se teve notícias dele. Chegaram a iniciar uma investigação, mas ninguém soube dar nenhum indício. A ação da justiça foi interrompida, abandonada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha, finalmente, encontrado o caminho que procurava. Ou nós é que ficamos cegos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/" title="Carta da Itália" target="_blank"&gt;Allan&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110598043880688058?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110598043880688058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110598043880688058' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110598043880688058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110598043880688058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/o-cego.html' title='O Cego'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110589267528594191</id><published>2005-01-16T14:23:00.000-02:00</published><updated>2005-01-16T14:24:35.286-02:00</updated><title type='text'>Apocalipse Now</title><content type='html'>João Antônio tinha trinta e três anos e uma certeza: era o Cristo que retornara para julgar os vivos e os mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É, o Cristo do Apocalipse, conhece, doutor? E desfiou as razões que fundamentavam sua certeza, tal um matemático demonstra um teorema ou um filósofo deduz com silogismos perfeitos. Primeiramente, a idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Trinta e três anos tinha o Cristo quando foi crucificado e eu aqui estou continuando sua trajetória terrena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Além disso, o número do medidor da companhia de eletricidade em minha casa termina com uma sequência de seis, a da Besta do Apocalipse: 666. Descobri quando fui fazer uma reclamação na CEMIG e tive de  anotá-lo. Foi uma mensagem, um sinal. Um Sinal, com S maiúsculo, sabe, doutor? A gente precisa ler os sinais, decifrar os códigos que estão à nossa volta, como fez Nostradamus. E mais: nasci no Brasil, cujo nome primeiro foi Terra da Santa Cruz. A cruz é a síntese: cruzamento do horizontal com o vertical, tempo e espaço. Pois o meu sobrenome, o senhor já anotou aí, é da Cruz. João Antônio da Cruz. Outro dia, uma kombi parou de repente num cruzamento. Bati na traseira e já saí gritando seu estúpido, por que parou sem avisar? O motorista saiu sorrindo, na maior calma. Vestia uma camiseta de crente, na qual estava escrito Jesus te ama. E a placa daquela kombi era: JAC-1972. Era a o ano de meu nascimento e minhas iniciais, doutor! Só não vê quem não quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Agora, o senhor me diga, o senhor acredita que eu sou o Cristo? Não quero palavra de psiquiatra, porque a ciência é uma coisa, religião é outra. Fale como pessoa humana, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Você é quem diz, João Antônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras provas foram descritas, fundamentadas em fatos vivenciados e interpretações que eu chamaria de delirantes. João insitiu mais uma vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vou perguntar de novo, ou o senhor responde ou Deus mesmo enviará um sinal. O senhor acredita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste exato momento, uma pomba, das muitas que infestam os arredores, pousa sobre o peitoril da janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tá vendo? Nem precisa responder. Eis o sinal. Quando chegar a hora, o senhor saberá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cláudio Costa&lt;/b&gt;. Psiquiatra &amp;amp; Psicanalista, além de &lt;a href="http://prascabecas.blogspot.com" title="Pras Cabeças" target="_blank"&gt;blogueiro&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110589267528594191?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110589267528594191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110589267528594191' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110589267528594191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110589267528594191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/apocalipse-now.html' title='Apocalipse Now'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110581085757552616</id><published>2005-01-15T15:39:00.000-02:00</published><updated>2005-01-16T14:23:30.660-02:00</updated><title type='text'>Maria Primavera, a Louca das Flores</title><content type='html'>Há alguns bons anos, em Lorena, cidadezinha na época até que pacata do interior de São Paulo, uma figurinha pitoresca andava pelas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flores nos cabelos, nos pulsos e até na fina canela. Duas acentuadas manchas de rouge vermelho intenso na face, no centro, um sorriso infalivelmente impresso escancarando as gengivas de um carmim escuro. Sua labuta diária era vasculhar latões de lixo -- na época não existiam os sacos de reciclagem da modernidade -- catando objetos de cores fortes que ia acumulando num carrinho de madeira bem rústico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nome de registro: Dolores, pelo que contavam os mais antigos. "Maria Primavera" era seu codinome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém nunca soube como e de onde ela surgiu porque nunca dizia coisa com coisa e então foi ficando por isto mesmo. O fato é que ela só incomodava mesmo alguns rabugentos comerciantes que esbravejavam porque ela espatifava todo o lixo nas calçadas, o que incomodava e espantava a freguesia. De resto, todos respeitavam seu estilo próprio de ser. Tinha se tornado um hábito já, e o hábito é o precursor da indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde de verão foi encontrada, caída no chão. Tentaram reanimá-la, mas nada mais pôde ser feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ausência de passado, parentes, amigos fez do ritual de suas despedidas algo pálido, opaco, sem honrarias ou homenagens. Se sertaneja fosse, Severina seria. Ausência absoluta do colorido das flores primaveris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou ali grande parte do tempo só. Alguns poucos curiosos entravam, observavam e saíam rapidamente, reforçando a tese de que há pessoas cuja especial predileção sado-masoquista é visitas a velórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua última imagem, a que restou, se tingiu de um inóspito inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a vida... que num certo sentido embute a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sônia Maria&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110581085757552616?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110581085757552616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110581085757552616' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110581085757552616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110581085757552616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/maria-primavera-louca-das-flores.html' title='Maria Primavera, a Louca das Flores'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110581065299864991</id><published>2005-01-15T15:35:00.000-02:00</published><updated>2005-01-15T15:37:32.996-02:00</updated><title type='text'>Natação Noturna Como Terapia</title><content type='html'>Em meados do mês de julho de 2004, tive o prazer de participar de uma excursão a Porto Seguro, Bahia. Passei uma semana hospedado lá, e nas 4 ou 5 festas que fui, vi muita loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem foi uma confraternização dos concludentes do Ensino Médio, mas não só do colégio onde eu estudava, e sim de vários outras instituições daqui de Recife e de outras partes do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época que fui, estava ocorrendo um determinado fenômeno climático, que nos fez enfrentar temperaturas baixíssimas -- principalmente pra quem está acostumado com o calorão de Recife. Fazia um frio incrível, quase insuportável. As pessoas iam pras festas com várias camisas e casacos, e caprichavam nas bebidas alcóolicas pra diminuir o incômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das noites mais frias, estava ocorrendo uma festa numa grande casa de eventos, e todos os turistas dali foram. Ou seja, o lugar estava completamente lotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminho do bar, me deparo com um sujeito tirando a roupa. Parei pra observar, obviamente. Quando estava só de cueca, simplesmente mergulhou de cabeça num braço-de-mar que passava por dentro do complexo de lazer -- e começou a nadar crawl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém acreditou. Eu, que já estava um tanto "alto", fiquei rindo sozinho... Descontroladamente, pra falar a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um ou dois minutos, o cara foi amolecendo e desmaiando lá na água mesmo. Eu me lamentava por não estar com minha câmera digital no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida, chegaram ao local uns seguranças, mas estes gozavam de boas faculdades mentais, e não se dispuseram a pular. E ficaram só nas bordas, esperando a correnteza trazer o louco nadador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então conseguiram pegá-lo, já desacordado, e todos começaram a aplaudir(?). Eu estava constragido porque não conseguia parar de rir, e saí dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os boatos que correram depois foi que ele teve hipotermia mas não chegou a correr risco de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de encontrá-lo novamente só pra perguntar qual o objetivo daquilo. Seria um protesto? Uma tentativa de suicídio? Vai saber!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://papahimen.blogspot.com/" title="PapaHimen" target="_blank"&gt;Fellipe Vaughan&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110581065299864991?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110581065299864991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110581065299864991' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110581065299864991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110581065299864991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/natao-noturna-como-terapia.html' title='Natação Noturna Como Terapia'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110576064185331309</id><published>2005-01-15T01:41:00.000-02:00</published><updated>2005-01-15T01:47:10.136-02:00</updated><title type='text'>A Alegria Alheia</title><content type='html'>Hoje, eu fiz uma coisa da qual muito me envergonhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram 9 da manhã, eu tinha dormido pouco, já tinha saído de uma reunião e meu destino era passar o dia todo no meu cliente, trabalhando como um mouro. Nada disso é desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em um daqueles bares de rua, aqui de Jacarepaguá, comendo um joelho e bebendo uma média. Havia umas outras três pessoas no balcão, uma delas um velhinho sorridente, de bigode branco e careca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velhinho estava muito feliz. Rindo. Brincando. Fazendo brincadeiras bobas com a atendente. Só me lembro de uma: ele pediu o açúcar e ela respondeu, grosseiramente, que estava no balcão. Ele nem ligou. Começou a fazer uma pantomima de procurar alguma coisa, levou a mão como uma aba sobre a testa e olhava em volta, vendo se alguém estava olhando. Como ninguém lhe deu a menor pelota - eu baixei os olhos, para evitar contato visual - ele continuou: localizou o açucareiro atrás dos canudos e disse, bem alto: "Ahá, eu não tinha visto, estava escondido por detrás essa árvore."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aproveitei para me transferir ao outro lado do balcão, bem longe dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi só chegar lá que bateu a culpa. Eu me senti um verme. Comecei a observá-lo com mais atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tentou brincar com todos. Eu gostaria de poder dizer que sua alegria era contagiante, mas não era. Para vergonha de todos nós, sua alegria era tudo menos contagiante. Era enojante. Ninguém lhe deu atenção. Ninguém reconheceu sua existência. Ninguém trocou olhares com ele. Ninguém retribuiu seu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele, verdadeiro herói do bom humor, não desistiu. Seu sorriso não morreu. Falou com todos, comentou o noticíario, riu, contou piadas. Absolutamente sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, deu bons-dias sorridentes a todos e saiu. Antes de virar à esquina, ainda falou com um vendedor de cocos. O vendedor de cocos virou a cara e ele foi embora. Inabalável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custava alguém ter retribuído o seu olhar? Sorrido de volta? Dado qualquer indicação de que estava ouvindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum de nós merecia a alegria daquele velhinho àquela hora da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/" title="Liberal Libertário Libertino" target="_blank"&gt;Alexandre Cruz Almeida&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110576064185331309?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110576064185331309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110576064185331309' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110576064185331309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110576064185331309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/alegria-alheia.html' title='A Alegria Alheia'/><author><name>Balada do Louco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10956812834948539163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10055877.post-110531899183829665</id><published>2005-01-09T22:59:00.000-02:00</published><updated>2005-01-15T01:56:11.050-02:00</updated><title type='text'>Nasce Uma Lenda</title><content type='html'>&lt;p&gt;Cidades pequenas sempre têm seus loucos de estimação. São conhecidos por todos, passam a fazer parte do cotidiano e, quando desaparecem, demora até que alguém se pergunte o foi feito dele, pergunta que raramente tem resposta. São ubíquos e conspícuos, se integram à paisagem e, às vezes, à lenda de cada cidade, como Gentileza atravessou a baía para se integrar à do Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;E estes são dias de espanto, porque uma lenda está nascendo em Aracaju.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Ela é uma mulher em seus 50 anos. É negra, mas em algum lugar de sua loucura decidiu que isso pode ser disfarçado. Passa pancake em todo o rosto, e assim cria uma máscara grosseira, óbvia e agressiva. Talvez quisesse se tornar uma boneca de louça, mas a imagem mais fidedigna é a de um aborígene australiano. Se a blusa que está usando deixa os ombros à mostra, ela também os maquia, outra camada grossa de pancake colocada de forma descuidada. Seus olhos, que podem denunciar a si mesma diante de um espelho, estão sempre escondidos atrás de óculos escuros.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Vaga principalmente por centros de compras: shopping centers, hipermercados. Sua loucura é alimentada pelo consumismo de uma sociedade à qual ela não se julga adequada. Não parece comprar nada, jamais; é como um fantasma que contempla, distante e marginal, a lei da oferta e da procura.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Ela já começou a se tornar conhecida, mas ainda causa espanto. As pessoas olham constrangidas, disfarçadas, assustadas ainda; e tentam uma explicação racional, porque ainda não desistiram de entender.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Mas não vai demorar até que desistam de explicações que nunca virão, ao menos não satisfatoriamente, e apenas se acostumem à sua presença. Sua lenda começa a ser criada, e já dizem que ela era professora. É só o começo; ainda é cedo para a lenda tomar sua primeira forma a partir de pequenas informações biográficas. E mais cedo ainda para que dispense até mesmo esses fiapos de verdade, e adquira dimensões fantásticas e irreais.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Para que isso aconteça é preciso que as crianças de hoje cresçam. Porque apenas crianças não se incomodam com a loucura alheia; são elas que vão dar a essa mulher o seu caráter legendário e sua integração à rotina da cidade, ao crescerem com a sua visão bizarra, às vezes fantasmagórica.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Ela tampouco tem um nome. Não é a louca da máscara, nem a maluca dos shoppings. É uma louca pública ainda muito recente, e talvez a cidade tenha crescido demais e não esteja mais preparada para seus loucos. Enquanto isso ela vaga pelos shoppings, pouco se importando com a impressão que causa nas pessoas, porque não são elas que a aterrorizam, é o espelho.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Estes são mesmo dias de espanto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://www.rafael.galvao.org/" title="Rafael Galvão" target="_blank"&gt;Rafael Galvão&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10055877-110531899183829665?l=baladadolouco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://baladadolouco.blogspot.com/feeds/110531899183829665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10055877&amp;postID=110531899183829665' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110531899183829665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10055877/posts/default/110531899183829665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://baladadolouco.blogspot.com/2005/01/nasce-uma-lenda.html' title='Nasce Uma Lenda'/><author><name>Rafael Galvão</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
